Caderno de diagnóstico

Quad9 bloqueia 14 bilhões de consultas: o que o relatório de 2026 revela

Resposta Rápida

O Quad9 informou que os 50 domínios mais bloqueados pelo serviço geraram mais de 14 bilhões de consultas no primeiro semestre de 2026. O volume mostra atividade automatizada intensa, mas não representa 14 bilhões de ataques nem de dispositivos infectados. Para escolher um DNS protetivo, compare segurança, taxa de sucesso e latência sem tratar bloqueios intencionais como falhas do resolvedor.

Escudo DNS ciano filtrando tráfego malicioso vermelho antes que ele alcance dispositivos domésticos

O relatório de ameaças do Quad9 para o primeiro semestre de 2026 dimensiona uma parte pouco visível da internet doméstica: somente os 50 domínios mais bloqueados pelo serviço receberam mais de 14 bilhões de consultas DNS entre janeiro e junho.

O volume inclui botnets em aparelhos Android TV, páginas falsas, golpes por notificação, malvertising e mineração de criptomoedas. Também mostra por que velocidade não pode ser o único critério para escolher um resolvedor. Um DNS protetivo pode encerrar uma conexão maliciosa antes que o navegador ou o aplicativo chegue ao servidor do invasor.

Há uma ressalva essencial: 14 bilhões de consultas não significam 14 bilhões de vítimas ou ataques bem-sucedidos. Consultas automatizadas se repetem, um único equipamento infectado pode produzir milhões delas e o comportamento de cache varia. O próprio Quad9 alerta que sua telemetria mede consultas bloqueadas, não dispositivos comprometidos.

Quais ameaças mais geraram consultas?

Entre os principais grupos descritos pelo Quad9 estão:

  • imitações da CrowdStrike: 13 domínios ligados a campanhas oportunistas somaram mais de 4,6 bilhões de consultas, quase dois anos depois da interrupção do Falcon em 2024;
  • botnets em Android TV: seis domínios com padrão de geração automática produziram perto de 2,2 bilhões de consultas, enquanto a infraestrutura de comando e controle foi sendo substituída;
  • golpes de notificação e malvertising: o ecossistema analisado respondeu por aproximadamente 1,8 bilhão de consultas;
  • cryptojacking: quatro endereços de pools de mineração Monero receberam, juntos, 688 milhões de consultas;
  • falso suporte da Meta: um domínio usado em phishing e spam continuou ativo, com mais de 146 milhões de consultas; Brasil e Turquia apareceram entre as maiores origens.

Os números mostram dois comportamentos distintos. Algumas campanhas usam poucos domínios por muito tempo. Outras criam e descartam nomes em alta velocidade por meio de algoritmos de geração de domínio, ou DGA, tentando superar listas de bloqueio.

Como o bloqueio no DNS protege um dispositivo

Antes de acessar uma página, baixar um script ou contatar o servidor de comando de uma botnet, o dispositivo normalmente precisa converter um nome em endereço IP. Um resolvedor protetivo compara essa consulta com sinais de ameaça atualizados.

Quando encontra um domínio classificado como malicioso, ele não entrega o endereço normal. Dependendo do serviço e da configuração, a resposta pode ser NXDOMAIN, REFUSED, 0.0.0.0 ou outro resultado sintético. Sem o IP, a conexão é interrompida antes de alcançar a infraestrutura conhecida.

Isso é especialmente útil para televisores, câmeras, roteadores e outros equipamentos que nem sempre aceitam um antivírus. Também cobre toda a rede quando o DNS protetivo é configurado no roteador.

Mas o controle tem limites. Ele não bloqueia uma conexão direta por IP, pode não reconhecer uma ameaça nova e não substitui atualizações, antivírus, autenticação forte ou isolamento de dispositivos. Se um aplicativo ignora o DNS da rede e usa seu próprio resolvedor criptografado, a política local também pode não ser aplicada.

Por que um benchmark pode interpretar o bloqueio errado

Um teste ingênuo pode contar qualquer resposta diferente de um endereço IP como erro. Em um DNS com filtragem, isso penaliza justamente a função de segurança que está operando corretamente.

Para medir desempenho sem distorção:

  1. Use domínios neutros e controlados. Não misture listas de malware ao conjunto usado para calcular disponibilidade.
  2. Separe timeout de resposta de política. Um NXDOMAIN recebido rapidamente é diferente de uma consulta sem resposta.
  3. Compare variantes equivalentes. O Quad9 oferece endpoints com políticas diferentes; confirme o endereço testado antes de atribuir o resultado ao serviço inteiro.
  4. Registre média, P95 e jitter. A menor média pode esconder picos que atrasam a navegação.
  5. Teste na rede real. Rota e proximidade do ponto de presença mudam entre operadoras, Wi-Fi e rede móvel.

O relatório não prova que o Quad9 é mais rápido que Cloudflare, Google ou o DNS da operadora. Ele prova que existe uma camada de segurança ativa. O desempenho ainda precisa ser medido localmente. Veja também como o DNS sobre QUIC e HTTP/3 mudou o Quad9.

O que fazer se houver muitos bloqueios na sua rede

Um bloqueio isolado pode vir de um link de phishing fechado sem consequências. Um padrão constante, especialmente a cada poucos segundos, merece investigação.

Comece identificando o dispositivo de origem nos registros do roteador, firewall ou resolvedor corporativo. Atualize o sistema e os aplicativos, remova extensões desconhecidas e verifique equipamentos baratos de IoT ou TV box. Trocar apenas o DNS pode ocultar o sintoma sem remover a infecção que continua tentando se comunicar.

Em empresas, preserve horário, nome consultado, dispositivo e resposta recebida. Esses dados permitem relacionar a atividade a outros alertas. Evite abrir manualmente um domínio suspeito para “ver o que acontece”; use as ferramentas de segurança e os processos de resposta da organização.

Segurança e velocidade devem ser medidas separadamente

O DNS mais rápido nem sempre é a melhor escolha, e o mais protetivo não é automaticamente lento. São eixos diferentes:

Critério O que observar
Desempenho média, P95, jitter e estabilidade ao longo do dia
Disponibilidade timeouts e falhas reais em domínios neutros
Segurança qualidade das fontes, velocidade de atualização e política de bloqueio
Privacidade retenção de dados, finalidade da telemetria e criptografia disponível
Compatibilidade nomes internos, controles parentais e protocolos aceitos pelos dispositivos

O dado mais importante do relatório não é apenas o total de 14 bilhões. É a persistência: aparelhos comprometidos continuam consultando infraestrutura maliciosa automaticamente, mesmo quando ninguém está navegando. Um resolvedor protetivo reduz essa exposição; um benchmark bem projetado confirma se ele entrega a proteção com desempenho consistente na sua conexão.

Fontes técnicas

FAQ

O Quad9 bloqueou 14 bilhões de ataques?

Não. O número corresponde a consultas DNS dirigidas aos 50 domínios mais bloqueados entre janeiro e junho de 2026. Um único dispositivo comprometido pode repetir milhões de consultas, e cache e novas tentativas alteram o total.

DNS protetivo substitui antivírus?

Não. Ele pode impedir a conexão inicial a domínios maliciosos conhecidos, mas não inspeciona todos os arquivos, endereços IP ou comportamentos locais. Deve fazer parte de uma defesa em camadas.

Um domínio bloqueado conta como falha no benchmark?

Não deveria. NXDOMAIN, REFUSED ou uma resposta sintética prevista pela política do serviço pode ser um bloqueio bem-sucedido. Um teste de desempenho deve usar domínios neutros e separar resposta intencional de timeout ou indisponibilidade.

O Quad9 é automaticamente o DNS mais rápido?

Não. A filtragem acrescenta proteção, mas rota, distância, cache e congestionamento determinam o desempenho local. Compare média, P95, jitter e disponibilidade na rede em que o DNS será usado.

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